A ansiedade nem sempre aparece com alarde. Às vezes, ela se manifesta em pequenos incômodos: um suspiro mais profundo, uma tensão no maxilar, uma dificuldade de se concentrar. Outras vezes, toma o corpo inteiro – acelera o coração, inquieta os pensamentos, desorganiza a rotina. Mas quase sempre, ela aponta para algo essencial: a tentativa de manter o controle diante de uma vida que parece não caber em si mesma.
No cotidiano de muitas mulheres, especialmente aquelas que se dividem entre carreira, filhos, relacionamentos e cobranças internas, a ansiedade pode se tornar uma presença constante. O dia começa antes mesmo do despertador tocar, e termina muito depois que todos dormem. Nessa dinâmica acelerada, o corpo continua ativo, mas a mente já está em outro lugar, antecipando o que vem, se culpando pelo que passou, se perdendo do agora.
Controlar a ansiedade não é exatamente “pará-la”.
Nem sempre é possível evitar os gatilhos ou impedir as reações do corpo. Mas é possível reconhecer os sinais, entender os caminhos por onde ela se infiltra, e criar pequenas pausas que devolvam presença e centramento.
Não se trata de uma fórmula. Mas aqui vão alguns pontos que podem abrir espaço para esse cuidado no dia a dia:
Repare nas suas pausas: você tem respirado ou apenas sobrevivido entre uma tarefa e outra? Às vezes, três minutos em silêncio com os olhos fechados podem reorganizar mais do que meia hora perdida em redes sociais.
Observe seu corpo: onde a ansiedade se aloja em você?
Nos ombros, no estômago, na fala apressada? Aprender a identificar os sinais do corpo é uma forma de chegar antes que ela tome conta por inteiro.
Recolha-se quando for possível: ansiedade não se resolve com mais desempenho. Ela pede um outro ritmo. E, ainda que o mundo cobre velocidade, você tem o direito de se mover mais devagar.
Converse com alguém
às vezes, só de falar em voz alta, já se cria um espaço de acolhimento. E quando essa escuta é feita em um processo terapêutico, ela se torna um solo fértil para novos caminhos internos.
Controlar a ansiedade no dia a dia é, acima de tudo, aprender a habitar a própria vida com mais gentileza. É perceber que talvez o que mais amedronte não seja o futuro em si, mas a sensação de estar sozinha demais para enfrentá-lo.


